domingo, 9 de outubro de 2011

VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA, CIDCATO SEM VERGONHA

O desfecho lamentável que suspendeu nossa greve na última assembléia, em que a direção da APEOC mais uma vez mostrou seu nível putrefato de estagnação e burocratização, nos faz repudiar seus métodos e clamarmos por uma mudança de rumos na condução de nosso sindicato.  O que nos deixa também temerosos, é o fato que nos próximos 30 dias este sindicato constituindo comissão de negociação formada por 8 professores estará negociando nosso plano de cargos e carreiras junto ao governo do Estado.
A formação dessa comissão deve ser discutida e votada para garantir a representação de 4 professores de base na sua formação que possam garantir o avanço de nossas reivindicações com a implantação do piso salarial. Neste sentido a APEOC deveria convocar uma reunião com os representantes dos zonais para discutir a fomação da comissão de negociação que terá sua primeira reunião com o governo ainda nesta segunda 10/10 às 14h. Infelizmente não consta na agenda de atividades divulgado no site da APEOC nenhuma reunião com essa tarefa, mas estamos atentos. Companheiros, é bom lembrar que mesmo suspensa  nossa greve, nossa articulação deve continuar a mesma, para tanto devemos manter e fortalecer as reuniões da Rede de Zonais, principal fórum que aglutinou a representação dos zonais traçando encaminhamentos em conjunto durante nossa greve. Assim, estamos divulgando o relatório da reunião de sábado 08/10.
Pontos para o relatório da Plenária realizada no dia 08.10.11 pós manobra golpista da APEOC.
 - Avaliou-se pelas imagens da TV Verdes Mares...
http://g1.globo.com/videos/ceara/v/professores-do-ce-decidem-pela-suspensao-da-greve-em-assembleia-tumultuada/1655558/
... que a probabilidade maior é de que a Assembléia Geral de sexta-feira votou majoritariamente pela continuidade da greve, o que explica inclusive a absurda manobra golpista da APEOC. Além disso, várias companheiras denunciaram que a partir de um determinado horário suspenderam a entrega dos crachás, impedindo as pessoas de votarem, inclusive sindicalizadas. É inadmissível o que aconteceu. No mínimo, se havia dúvidas, era imprescindível repetir as votações e fazer a contagem dos votos. Como, aliás, aconteceu naquela assembléia anterior, embora com uma forma péssima. Aliás, na reunião do "comando" a APEOC havia se comprometido com isso. Acreditamos que mesmo quem votou pela suspensão e se pauta por princípios éticos não deve aceitar essa aberração. Portanto, a questão ficou em aberto. O correto seria fazer uma nova assembléia geral para decidir, mas ainda não temos organização suficiente para garantir esse encaminhamento. Como resolver isso?
                Daí termos que criar as condições para retomar o fio da meada da greve, tendo como foco a luta pelo piso calculado pelo MEC repercutindo na carreira atual e garantia de 1/3.
  - De imediato ficou deliberado:
1) No retorno às escolas, esclarecer alunos, pais e os próprios professores sobre tudo o que aconteceu, a postura do governo e do sindicato, inclusive a possibilidade de retornar à greve.
2) Elaborar nota extensiva à população sobre o assunto. Confeccionar o cartaz “Inimigos da Educação e do Povo” em tamanho grande (mela-mela) além de reproduzi-lo e incentivar as escolas a confeccionarem banners, .
2) Fortalecer os zonais articulando reuniões imediatamente para avaliação, propostas e garantir os encaminhamentos para mobilizações e acompanhamento das possíveis negociações, inclusive avaliando a necessidade de recompor as representações de acordo com os posicionamentos.
Obs.: Pode ser necessário reduzir o tempo de cada aula para realizar essas atividades.
3) Participar da reunião de 2ª feira com o governo. Para isso:
       - Não havendo tempo hábil para escolher quem vai participar da chamada “base”, a referência seria mesclar pessoas que participaram das 02 últimas reuniões (MP e governo), ficando como sugestão Macarrão, Arivalto e Laura.
       - Realizar um estudo técnico do Plano de Carreira, tabelas, etc., preparando a reunião com o governo e o seminário que o sindicato vai realizar na 6ª feira (ver site da APEOC). O estudo será neste domingo, 09/10, a partir das 15h, no Adauto Bezerra (ao lado da UECE/Humanidades) e contará com a colaboração de colegas que têm um domínio maior desse assunto.
4) Nova Plenária 4ª feira, 12/10 (feriado), a partir das 15 horas, no Colégio Adauto Bezerra.
5) Implementar a proposta do Forró no dia 14/10 comemorando o Dia do Professor e para arrecadar finanças. A sugestão foi “Forró Pé no Piso – para não pisar na Carreira”. Local: Clube da Vila União, a partir das 20h. Comissão: Bete, Ronaldo Rogério, Neto...
6)Intensificar a campanha de finanças não só para pagar despesas já realizadas (a ex. da página do O Povo) como também para novas atividades: notas, panfletos, cartazes, adesivos, combustível, etc.
7) Preparar a realização de um Ato Público significativo no Dia do Professor (15/10). Detalhes a combinar na plenária de 4ª feira.
8) Comissão Jurídica: de imediato, ida ao escritório do Dr. Carlos Henrique 2ª feira, às 14h. Comissão: Irenildo (EJBM), Ibiapina (A. Bezerra)...
8) Realizar um debate com a participação das várias correntes de opinião que atuam no movimento em torno da temática sobre a greve, a crise do capitalismo e estratégias de luta – Data a ser marcada.
9) Várias outras sugestões e propostas foram colocadas para posterior discussão.
Obs.: faltou uma discussão mais séria sobre a questão do Erivalto que está sendo processado como responsável pelo que aconteceu na Assembléia Legislativa. Temos que correr atrás do prejuízo.
 É nossa tarefa como professor manter nossa capacidade de mobilização, fiquem todos atentos aos próxinos passos de nosso movimento. Comunique-se conosco.


           

UNIDADE E SOLIDARIEDADE, SOMOS TODOS ARIVALTO

Professoras e professores, nesta segunda feira 10/10 às 14.30 o professor Arivalto vai  apresentar-se para prestar esclarecimentos na delegacia do IV Distrito. Vale lembrar que o Arivalto além de ser vitima da violência policial também enfrenta uma sórdida tentativa de responsabiliza-ló criminalmente como responsável pela violência do dia 29/09 nas dependências  da  ALCE. O endereço da delegacia em questão é: Rua Mons. Salazar 1237, Pio XII.
CONVOCAMOS TODOS QUE ESTEJAM DIPONÍVEIS A SE FASEREM PRESENTES. FORTALEÇA!
  

sábado, 8 de outubro de 2011

EM VOTAÇÃO NO MÍNIMO AMBÍGUA NOSSA GREVE É SUSPENSA POR 30 DIAS.

                                              fonte: diariodonordeste

Ontem, sexta dia 07/10 no Ginásio Paulo Sarasate, em votação controversa nossa greve acabou sendo suspensa por 30 dias para o ínicio de uma provável negociação como o Faraó do Abolição. A grande questão aqui levantada, não é o resultado da assembléia, mas a forma pela qual foi conduzida, até por que em nossa penúltima ouve também certas dúvidas mas o sindicato de forma acertada, refez a votação mais de uma vez até se ter a plena certeza do resultado deliberado, o que não aconteceu ontem.
Para a nossa suposta representação sindical e para alguns colegas que até então defendiam fervorosamente a continuidade da greve o motivo da suspensão da greve seria mais uma ata de negociação. Não negamos que essa nova ata contém certos avanços mas o problema é que é mais uma simples ata, portanto passível de não cumprimento do foi escrito e acordado. Basta lembrar-se dos casos dos colegas da Policia Civil e Detran, os primeiros com ameaça de retornaram à greve pelo não cumprimento do que foi negociado. Nossa alternativa agora não é outra senão manter de alguma forma a mobilização e NÃO deixar que a Apeoc conduza de forma isolada o suposto processo de negociação com o Governo.
Colegas, sabemos que o momento é de  frustração, raiva e outros sentimentos não muito agradáveis, mas importa saber que a guerra ainda não acabou  não podemos de forma alguma baixar nossas cabeças, devemos sim lembrar dos colegas agredidos, do sacríficio dos guerreiros em greve de fome e da nossa força e unidade adquiridas durante toda greve oriundas dos ZONAIS. Sim os Zonais, devemos mantê-los como uma central de inteligência de guerra para que ao final do prazo desse pretenso processo de negociação(em caso de propostas que mais uma vez tentem destruir nossa carreira)possamos mais uma vez dar uma resposta contudente ao Governo e ao nosso próprio sindicato retomando à nossa vitoriosa GREVE.

FORÇA GUERREIROS!
CANSADOS MAS NUNCA DERROTADOS!
AO FINAL, A VITÓRIA SERÁ NOSSA!

Prof. Fernando Eloilson

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ATENÇÃO PROFESSORAS E PROFESSORES MAIS UMA VEZ PRECISAMOS CONSTRUIR UMA GRANDE MOBILIZAÇAO NO PALÁCIO DA ABOLIÇÃO

Os resultados da reunião no Ministério Público causaram mais uma vez desconforto aos professores e tem ares de armadilha para a greve.
O governo veicula campanha na mídia tentando confundir a opinião pública e afugentar os professores, cabe a nós  respondermos com mais mobilização.
Assim convocamos a todos a estarem presentes no Ato do Palácio da Abolição às 15h, articule sua comunidade e vamos mais uma vez todos juntos contra o Tirano da Abolição. Unidade, força e luta!

ALEGRAI-VOS GUERREIROS DA EDUCAÇÃO, JÁ SE VÊ UMA LUZ NA ESCURIDÃO

Quem diz que greve é um instrumento ultrapassado como método de reivindicação e luta dos trabalhadores, engana-se profundamente. Basta tomar como base a greve do magistério do Ceará que a 60 dias vem enfrentando o autoritário e prepotente governo de Cid Gomes. É bom lembrar que este governo costuma atacar o direito de greve quando afirma que não negocia com categorias em greve, e mais, já assumiu que essa postura é para evitar que todas as categorias de servidores se utilizem da greve como instrumento de defesa das suas conquistas ou como arma reivindicatória eficaz para os trabalhadores. O que temos mostrado ao longo de nossa greve é que quando uma categoria se mobiliza de forma concisa e atuante, determinada em seus objetivos e tomando como referência a mobilização e a ação direta como instrumento de pressão, temos sim força para garantir a manutenção da greve e o atendimento as suas reivindicações. Assim temos forçado o governo a receber o comando de greve por várias vezes buscando um entendimento em forma de negociação. O tamanho e a força de nossa greve tem enfrentado corajosamente a truculência do governo, a subserviência da Assembleia Legislativa e a imposição do judiciário cearense que atende as vontades do governo ao solicitar a ilegalidade da greve como forma de praticar terror psicológico sobre o professorado em busca de quebrar a greve. Temos resistido a todos estes ataques superando-os um a um e mantendo a fortaleza de nossa mobilização. Nesta última terça feira (04/10) nova rodada de negociação se deu no Palácio do Ditador. Seu conteúdo não era favorável aos professores, pois estava se limitando a ratificação por parte do governo da última ata já recusada em assembleia pela categoria. No entanto, nos finalmentes da reunião houve uma rápida conversa que não consta na ata em que o sr. Ivo Gomes sinaliza a possibilidade do governo atender a implantação do piso com repercussão na carreira atual de forma escalonada. Para tanto ficou agendado uma nova reunião com o governo quinta feira dia 06/10 onde se discutirá essa possibilidade. Também ficou acertado que o governo não tomará nenhuma atitude punitiva contra os grevistas pelos menos até sexta feira dia 07/10 quando ocorrerá nova assembleia geral da categoria que decidirá sobre o futuro da greve e do movimento. Precisamos discutir com calma em nossos zonais este novo momento para tomarmos uma decisão acertada coletivamente. VIVA A GREVE, CONTINUEMOS TODOS MOBILIZADOS.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

E O POVO FOI AS RUAS, TODOS CONTRA O TIRANO DA ABOLIÇÃO

Cada semana que nossa greve supera tem sua especificidade, são situações onde deparamos com altos e baixos à que passou por exemplo, nos foi dura, tivemos que sustentar a greve em uma assembléia rachada por conta do terror psicológico empregado pelo governo e pela postura equivocada da Diretoria da APEOC defendendo a suspensão da greve e desmontando-a onde conseguia. Assim passamos a semana trabalhando para a greve não desmontar, conseguimos e fomos além, apostamos tudo na proposta de ocupação com greve de fome na Assembléia Legislativa. E eis que a sorte mudou, em meio a uma votação relâmpago no plenário ocorria uma pressão vinda dos protestos das centenas de professores e alunos presentes naquele momento, o resultado foi um confronto com a polícia e o choque que intervieram de forma absolutamente violenta e covarde provocando um verdadeiro massacre sangrento sob os manifestantes. Este fato foi largamente noticiado pela mídia local e nacional o que de pronto gerou um sentimento coletivo de indignação, o que tivemos foi uma reação imediata, as escolas voltaram a fechar e retornar a greve, entidades de classe se pronunciaram, intelectuais se manifestaram o povo inteiro repudiou a forma como os representantes do Estado tratam seus professores. Assim mais uma vez o Sr. Ciditador uniu a todos com seus atos autoritários. Por sua vez essa semana inicia de forma muito positiva para a greve, pois conseguimos realizar uma passeata de milhares composta por nossa categoria acompanhada do apoio de centenas de estudantes secundaristas, universitários da rede pública e privada. Foram muitas as entidades presentes e todos ali se tornaram defensores da educação exigindo de Cid Gomes respeito aos educadores e a imediata reabertura das negociações para iplementar o piso Nacional. O resultado de tudo isso foi a confirmação de que governo estava chamando o comando de greve para uma reunião nesta terça 04/10 às 11h. É o primeiro sinal de uma possível negociação com a categoria, o que se traduz como uma vitória parcial, também é importante registrar que a força de nossa mobilização levou o governo a recuar as grades de segurança do famigerado perímetro de segurança e o povo se postou em frente ao Palácio desafiando e desobedecendo a detestável lei imposta pelo Tirano Cid. É agora ou nunca, este é o momento ideal para intensificar nossa greve e garantirmos a implantação do piso e nenhuma punição aos grevistas. Todos juntos, força, dignidade e luta. TODOS PRESENTES A NOSSA ASSEMBLÉIA GEARAL 15h GINÁSIO PAULO SARASATE

domingo, 2 de outubro de 2011

OS PROFESSORES ESTAVAM NAS RUAS POR CULPA DO CID, DESTA VEZ, É O POVO QUE VAI AS RUAS E A CULPA CID, TAMBÉM É TUA.

Estamos chegando a quase sessenta dias de uma greve histórica e heróica, protagonizada pelo nível de consciência política de nossa categoria e pela disposição em permanecer mobilizada.
Durante os primeiros trinta dias, enfrentamos a truculência do governador que buscava a todo custo desmantelar nosso movimento tentando caracterizá-lo como marginal, nós vencemos.
Superamos essa primeira fase com a categoria unida para novamente sermos testados nos 30 dias seguintes, fase muito difícil em que fomos assediados pelo governo e abandonados pela direção do sindicato que passou a defender a suspensão da greve e até mesmo , desmontá-la em escolas de todo o Estado. O resultado de tudo isso gerou uma confusão que rendeu na divisão da categoria na nossa penúltima assembléia Mais uma vez vencemos, venceu a greve, aquela que é feita pela base. Mas é importante lembrar que a manutenção da greve neste momento deve-se a organização e mobilização dos zonais articulados entre si, naquilo que chamamos de Rede de Zonais.
Nossa greve ganha novamente a unidade necessária, depois dos últimos acontecimentos em que o Ciditador e seus paus mandados da Assembléia Legislativa empurraram goela abaixo de cada professor, uma mensagem mais uma vez destruidora de nossa carreira, e com certo ar de vingança pela nossa ousadia de questioná-los MANDARAM que a polícia nos agredisse com um verdadeiro massacre. Voltamos com tudo, a indignação é geral, vai do simples cidadão pai de aluno a entidades de classe e a sociedade organizada. Desta feita tentam desesperadamente confundir a luta e organização dos trabalhadores em educação como uma mera massa de manobra conduzida por interesses de partidos ou correntes de esquerda. Isso soa como um insulto a nossa vontade política, uma tentativa que mais uma vez não frutificará de tirar o sentido classista de nossa greve , pois a mentira não prevalecerá.
É hora da máxima unidade, porém, não podemos perder o foco da importância do comando de greve em continuar atuando em conjunto de forma cada vez mais democratizada. Só ele responde pela greve.
Neste sentido, convocamos todos a se fazerem presentes na grande passeata de segunda 02/10 (concentração 14h na AL indo até o Palácio da Abolição) . Um + Um é sempre + que Dois, multiplique, convide outra pessoa a ir com você, o vizinho, o amigo, o colega de trabalho, o parente, o aluno ,enfim, convidemos a todos que queiram manifestar sua indignação as atitudes covardes do tirano Cid Gomes. Será o grande momento para tornar nossa luta vitoriosa. Juntos somos fortes, juntos venceremos.

EU TENHO UM SONHO!

Eu tenho um sonho que
O piso seja aplicado em toda nossa carreira,
valorizando o tempo de serviço e a nossa titulação,
para que assim seja dado o 1º passo
para o nosso respeito e valorização!

Eu tenho um sonho que
seja dado pelo menos 1/3 de hora-atividade,
para a nossa aula aumentar ainda mais em qualidade,
e assim estarmos mais próximos de nossos alunos
e sua realidade!

Eu tenho um sonho que
a nossa classe seja unida,
que a dor de um seja do outro a ferida
e o sindicato seja o reflexo de nossa categoria!

Eu tenho um sonho que
os alunos voltem a querer ser professor,
que os pais tenham orgulho do seu filho ser professor,
que os professores queriam que o seu filho seja um professor,
que as crianças voltem a brincar de professor!

Eu tenho um sonho que
não seja apenas meu sonho,
que não seja apenas sonho de um,
que seja também um sonho de “Raul”!

Prof. Rafael Lima

“Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só! Mas sonho que se sonha junto é realidade!”
Raul Seixas

sábado, 1 de outubro de 2011

O IMPASSE CONTINUA

Não gostaria de voltar ao assunto, mas as circunstâncias me obrigam. Refiro-me à greve dos professores. A agressão - chamar aquilo de confronto é um eufemismo bajulatório – quando professores foram barrados, agredidos e feridos. Foi a crônica da morte anunciada...
Será que não se poderia esperar outra coisa do governador e de seu coadjuvante, o presidente da Assembleia Roberto Cláudio? Os dois abusaram não da força, mas da incompetência. Batalhão de Choque invadir Assembleia por causa de manifestação de professores? Estupidez. Aliás, esses dois jovens entraram na política de modo muito linear, não sabem o que é isso. Imaginam-se senhores absolutos do poder. São ingênuos...
Dos deputados eu esperava algo mais contundente. Batendo aquela porta, os professores pensavam encontrar canais de negociação e entendimento. Ledo engano. Os deputados tiraram uma onda de Pilatos. Lavaram as mãos enquanto os professores eram espancados. Pobre Legislativo que se acredita mais um grêmio literário que uma

Casa do Povo. Pois os mestres apanharam, diante deles, e eles não reagiram.
Fica claro, sobretudo para um grupo de parlamentares, o quanto a omissão foi grave. Refiro-me aos deputados identificados com de esquerda (PT, PC do B, PDT, PSB, etc.) que, abobalhados, não souberam reagir e não esboçam qualquer posição diante de tamanha violência.

Esqueceram as lutas. Acovardaram-se ao troco de migalhas do Poder. Para mim foi a decepção mais gritante.
Claro que essa manifestação dos professores é política. Essencialmente política. Não são marginais, nem bandidos ou assaltantes perigosos. Trata-se de cidadãos que buscam a consolidação de direitos assegurados por lei federal. “Se te calares, até as pedras clamarão.”
O impasse, alimentado pela empáfia do governador, está instalado. Os professores acabam de votar pela continuidade da greve. Estão decididos a não recuar. Vão mandar mais policiais? Vão convocar mais Batalhões? Precisa de mortos?
Senhores, a hora é muito séria para entregar a solução a amadores.
Antonio Mourão Cavalcante - Médico, antropólogo e professor universitário

VEJA INFORMES SOBRE NOSSA GREVE NESTE FIM DE SEMANA

Após confronto, votação em peso para manter greve
A divisão da semana passada ficou para trás. Ontem, professores votaram em massa para manter a greve 01.10.2011
Professores da rede estadual decidiram na manhã de ontem, em assembleia, manter a paralisação, que hoje completa 58 dias. Diferentemente da assembleia realizada uma semana antes, no ginásio Aécio de Borba, quando a categoria estava dividida sobre a continuidade da paralisação, inclusive com a orientação do presidente do sindicato dos professores, Anízio Melo para que a greve chegasse ao fim, ontem a decisão foi rápida e aprovada por ampla maioria.
Em clima de revolta, o sentimento entre os grevistas é que a categoria ficou ainda mais unida após a grande repercussão na mídia nacional do confronto com o batalhão de choque da Polícia Militar.
A assembleia foi realizada na Avenida Desembargador Moreira, em frente ao Plenário 13 de Maio, bloqueando o tráfego da via, no sentido sertão-praia. Devido aos protestos, não houve sessão plenária na Assembleia.
O professor de matemática e religião da Escola Estadual Dois de Maio, Arivalto Freitas Alves, ferido na cabeça no confronto com a PM, tornou-se um símbolo de resistência do movimento. Com a cabeça enfaixada Arivalto foi ovacionado pelos professores.
O momento de tensão aconteceu quando o deputado estadual Carlomano Marques (PMDB), vice-líder do governo, preparava-se para conceder entrevista no salão da Assembleia Legislativa, a poucos metros dos docentes que estavam em greve de fome.
Aos gritos, os professores chamaram o deputado de “fascista”. Antes do início da entrevista, Carlomano saiu escoltado pela Polícia. “Carlomano é o cão de guarda do governador”, disse Anízio Melo.
Ao final do evento, os manifestantes que estavam acampados na Assembleia deixaram o local. Mas, antes de deixar o prédio, de mãos dadas, eles provocaram os PMs do Batalhão de Choque. Jogando tinta vermelha em frente aos policiais e entoando canções que viraram hits do movimento: “Para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré; “Polícia”, dos Titãs; o Hino Nacional e uma versão de “Poeira” de Ivete Sangalo, cuja letra adaptada ficou é “vergonha, vergonha, vergonha, Cid sem vergonha”. Os professores Clésio Mendes, Cláudio Monteiro e Laura Lobato, que estavam há 48 horas em greve de fome suspenderam o protesto.
Procurada, a assessoria do governador informou que ele não iria se pronunciar a decisão dos professores.
Bruno Cabral
brunocabral@opovo.com.br